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Delírio
(Estas quadras não são "Trovas de Linguagem", sendo apenas o meu último poema)
Eu já rabisquei poemas
na areia que entrava em mim.
Prendi-me num par de algemas,
comi tufos de capim.
No escuro do meu torpor,
procurei alternativa:
Liguei “on” no interruptor,
mas fiquei na tentativa.
Fiz as pazes com as trevas
e me deitei conformado,
já que desde eras longevas
morre-se, em geral, deitado.
Não morri, ó mundo ingrato! Fiz jejum com tanta sanha que até vi sobre o meu prato algumas teias de aranha.
Fiz, então, coisas estranhas: com inspiração na veia, fui ensinar às aranhas como se tece uma teia.
Mas saltitei, dei três giros
quando, em brusca reação,
ouvi a salva de tiros
da panela-de-pressão.
Num pulo, braços erguidos, vasculhei toda a cozinha à procura de bandidos, mas com faca na bainha.
Nada vendo, fui dormir, dessa vez com luz acesa, para da luz extrair bons eflúvios, com certeza.
A noite toda sonhei que fiz poemas incríveis, mas vi, quando despertei, que faço versos sofríveis...
Preço alto
"Que preço caro! " - um incauto protestou na padaria. Corrija-se: o preço é alto. Cara é a mercadoria.
Regência
Se na frase um só sujeito por dois verbos se reger, só o primeiro varia: “ − Nós amamos pra viver”.
Com hífen
Nipo-chinês, vejam bem,
leva hífen na grafia.
É que o composto contém
mais de uma cidadania.
Mais trovas

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